Quando é necessário o Projeto de Sistemas de Combate a Incêndio?

Quando é necessário projeto de sistemas de combate a incêndio

Muitas edificações precisam implantar, revisar ou adequar sistemas de proteção contra incêndio, mas nem sempre está claro quando é necessário desenvolver um projeto técnico específico.

O projeto pode ser necessário quando a demanda envolve cálculos, distribuição de equipamentos, definição de trajetos, especificações ou compatibilização de sistemas como hidrantes, mangotinhos, sprinklers, alarme, detecção, iluminação de emergência, sinalização de emergência e rotas de fuga.

A necessidade deve ser avaliada conforme o uso do imóvel, a área construída, o layout, os riscos existentes, os sistemas já instalados, a documentação disponível e as exigências aplicáveis à segurança contra incêndio da edificação.

O que é um projeto de sistemas de combate a incêndio?

O projeto de sistemas de combate a incêndio é o conjunto de documentos técnicos utilizado para dimensionar, especificar, distribuir e compatibilizar os sistemas preventivos de uma edificação.

O conteúdo pode incluir:

  • Plantas técnicas;
  • Cálculos;
  • Diagramas;
  • Detalhes construtivos;
  • Especificações de equipamentos;
  • Trajetos de tubulações;
  • Localização de dispositivos;
  • Listas de materiais;
  • Critérios de instalação;
  • Orientações para contratação ou execução.

O nível de detalhamento depende dos sistemas envolvidos e do objetivo da contratação.

Uma rede de hidrantes, por exemplo, pode exigir cálculos de vazão e pressão, definição dos diâmetros das tubulações e dimensionamento do conjunto de bombeamento. Um sistema de detecção pode exigir distribuição de dispositivos, setorização, definição de circuitos e integração com outros sistemas.

O projeto de sistemas de combate a incêndio em Salvador deve considerar as condições reais do imóvel e as interfaces com arquitetura, estrutura, instalações elétricas, hidráulicas e demais disciplinas.

Não se trata apenas de indicar equipamentos em uma planta. O projeto deve fornecer informações suficientes para reduzir dúvidas durante a contratação, a compra de materiais e a implantação dos sistemas.

Quando esse tipo de projeto pode ser necessário?

situações que podem exigir projeto de sistemas de combate a incêndio

O projeto pode ser necessário sempre que a edificação precisar implantar, ampliar, substituir, revisar ou adequar sistemas preventivos.

A definição depende da situação encontrada e não deve partir da ideia de que todos os imóveis precisam dos mesmos recursos.

Construção de nova edificação

Em uma nova edificação, os sistemas de incêndio precisam ser considerados durante o desenvolvimento dos projetos.

Essa integração permite reservar espaços para:

  • Tubulações;
  • Abrigos de hidrantes;
  • Bombas;
  • Reservatórios;
  • Centrais de alarme;
  • Detectores;
  • Acionadores;
  • Luminárias de emergência;
  • Placas de sinalização;
  • Escadas e rotas de saída.

Quando os sistemas são avaliados ainda na fase de projeto, é possível identificar interferências antes do início da obra.

Isso reduz a necessidade de alterar forros, paredes, estruturas, instalações ou ambientes depois que a construção já está em andamento.

Reforma, ampliação ou mudança de layout

Reformas podem modificar as condições consideradas no projeto anterior.

A criação de novas salas, a instalação de divisórias, a ampliação da área construída ou a mudança na utilização dos ambientes pode afetar:

  • Rotas de fuga;
  • Distribuição dos equipamentos;
  • Alcance dos hidrantes;
  • Posição dos detectores;
  • Visibilidade da sinalização;
  • Cobertura da iluminação de emergência;
  • Distribuição dos sprinklers;
  • Quantidade estimada de ocupantes.

Mesmo quando a intervenção parece localizada, é necessário verificar se ela interfere nos sistemas existentes.

Um projeto técnico pode ser necessário para atualizar as soluções e compatibilizá-las com a nova configuração do imóvel.

Implantação de novos sistemas preventivos

Quando a edificação ainda não possui determinado sistema, o projeto ajuda a definir como ele deverá ser implantado.

Essa situação pode envolver:

  • Instalação de rede de hidrantes;
  • Implantação de mangotinhos;
  • Instalação de sprinklers;
  • Criação ou ampliação do sistema de alarme;
  • Implantação de detecção automática;
  • Instalação de iluminação de emergência;
  • Implantação de sinalização;
  • Revisão das rotas de fuga.

A necessidade de cada sistema deve ser confirmada conforme as características da edificação.

Não é adequado definir equipamentos, trajetos ou capacidades apenas com base em estimativas de fornecedores, sem avaliar o funcionamento do conjunto.

Substituição ou atualização de sistemas antigos

Sistemas antigos podem apresentar equipamentos obsoletos, ausência de peças, modificações não documentadas ou desempenho incompatível com as necessidades atuais da edificação.

O projeto pode ser necessário para:

  • Substituir bombas;
  • Atualizar centrais de alarme;
  • Revisar redes de tubulação;
  • Reposicionar dispositivos;
  • Ampliar áreas protegidas;
  • Corrigir incompatibilidades;
  • Atualizar especificações;
  • Registrar alterações executadas ao longo do tempo.

A simples troca de um equipamento por outro nem sempre é suficiente. É necessário verificar se o novo componente é compatível com a rede, a alimentação, os dispositivos e as condições de funcionamento do sistema.

Adequação após identificação de pendências

Uma vistoria, inspeção, análise documental ou exigência técnica pode identificar que os sistemas existentes precisam de adequação.

As pendências podem estar relacionadas a:

  • Falta de cobertura em determinados ambientes;
  • Ausência de detalhes para execução;
  • Equipamentos posicionados de forma inadequada;
  • Sistemas incompatíveis com o layout atual;
  • Divergência entre plantas e instalações;
  • Redes modificadas sem atualização;
  • Mudanças no uso da edificação;
  • Falta de integração entre os sistemas.

Quando ainda não está claro quais intervenções serão necessárias, uma avaliação técnica de segurança contra incêndio pode ajudar a identificar as pendências e definir o escopo do projeto.

Necessidade de orçamento com escopo técnico definido

Orçamentos elaborados sem projeto podem apresentar diferenças significativas de quantidade, especificação e método de instalação.

Um fornecedor pode considerar determinado trajeto, enquanto outro prevê uma solução diferente. Isso dificulta a comparação das propostas e aumenta o risco de itens não previstos durante a obra.

O projeto ajuda a definir:

  • Quantidades;
  • Capacidades;
  • Características dos equipamentos;
  • Trajetos;
  • Pontos de instalação;
  • Materiais;
  • Interfaces;
  • Limites do serviço.

Com essas informações, a contratação pode ser baseada em um escopo técnico mais claro.

Quais sistemas podem exigir projeto técnico?

O projeto pode abranger um sistema específico ou reunir diferentes disciplinas, conforme a necessidade identificada.

Hidrantes e mangotinhos

O projeto de hidrantes e mangotinhos pode definir:

  • Localização dos pontos;
  • Diâmetros e trajetos das tubulações;
  • Vazões e pressões;
  • Reserva de água;
  • Bombas e acessórios;
  • Abrigos e conexões;
  • Detalhes de instalação;
  • Condições de funcionamento conjunto.

O dimensionamento deve considerar o atendimento dos pontos previstos e as perdas existentes na rede.

Sprinklers

O projeto de sprinklers pode envolver:

  • Distribuição dos chuveiros automáticos;
  • Definição das áreas protegidas;
  • Cálculos hidráulicos;
  • Diâmetros das redes;
  • Conjuntos de controle;
  • Reservas e bombeamento;
  • Interferências com forros, luminárias e dutos;
  • Condições de obstrução e cobertura.

A distribuição dos dispositivos não deve ser definida apenas pelo espaço disponível no teto.

Alarme e detecção de incêndio

Alarme e detecção possuem funções relacionadas, mas podem exigir soluções e dispositivos diferentes.

O projeto pode definir:

  • Detectores;
  • Acionadores manuais;
  • Avisadores sonoros e visuais;
  • Centrais;
  • Setores;
  • Laços e circuitos;
  • Interfaces com outros sistemas;
  • Alimentação elétrica;
  • Critérios de instalação.

A compatibilização com o projeto de instalações elétricas ajuda a definir circuitos, alimentação, infraestrutura e interfaces.

Iluminação de emergência

O projeto de iluminação de emergência pode definir:

  • Distribuição das luminárias;
  • Pontos de instalação;
  • Autonomia dos equipamentos;
  • Alimentação;
  • Cobertura das rotas;
  • Iluminação de escadas e corredores;
  • Características técnicas;
  • Integração com as instalações elétricas.

Sinalização de emergência

O projeto de sinalização de emergência pode apresentar:

  • Indicação das rotas de saída;
  • Identificação de portas e escadas;
  • Sinalização de mudanças de direção;
  • Identificação de equipamentos;
  • Alertas de risco e proibição;
  • Posicionamento das placas;
  • Alturas de instalação;
  • Condições de visibilidade.

A sinalização deve ser avaliada conforme o layout e as possíveis obstruções.

Uma edificação pode precisar atualizar placas e indicações sem que seja necessária a substituição completa do sistema de iluminação de emergência.

Rotas de fuga e medidas complementares

O projeto também pode avaliar:

  • Percursos de saída;
  • Larguras de corredores;
  • Portas e sentidos de abertura;
  • Escadas;
  • Saídas finais;
  • Compartimentação;
  • Pressurização, quando aplicável;
  • Controle de fumaça, quando aplicável;
  • Distribuição de extintores;
  • Integração com arquitetura.

Essas medidas devem ser analisadas em conjunto com a utilização dos ambientes e a configuração da edificação.

Demandas relacionadas a descargas atmosféricas, aterramento ou equipotencialização podem exigir um projeto de SPDA como disciplina complementar. O SPDA possui finalidade própria e não deve ser tratado como sistema de combate a incêndio.

Todo imóvel precisa dos mesmos sistemas?

Não. Os sistemas necessários variam conforme as características da edificação.

Entre os fatores que podem influenciar essa definição estão:

  • Uso e ocupação;
  • Área construída;
  • Altura;
  • Número de pavimentos;
  • Quantidade de usuários;
  • Características dos materiais;
  • Atividades desenvolvidas;
  • Existência de depósitos;
  • Configuração do layout;
  • Sistemas já instalados;
  • Reformas e ampliações;
  • Exigências aplicáveis.

Um condomínio residencial, uma clínica, uma indústria e um centro comercial possuem condições de operação diferentes.

Por isso, uma solução adotada em determinado imóvel não deve ser reproduzida automaticamente em outro.

Também é possível que uma edificação precise do projeto de apenas um sistema. Uma reforma pode exigir a revisão da detecção, enquanto os demais sistemas permanecem sem alteração.

Em outra situação, a demanda pode estar limitada à iluminação ou à sinalização de emergência.

Qual a diferença entre projeto de sistemas, Projeto Legal e execução?

Essas três atividades podem se relacionar, mas não representam o mesmo serviço.

EtapaFinalidade principal
Projeto de sistemasDimensionar, especificar, detalhar e compatibilizar os sistemas
Projeto Legal de IncêndioOrganizar documentação, enquadramento, protocolo e análise
ExecuçãoInstalar, substituir ou adequar fisicamente os sistemas

O projeto de sistemas apresenta as informações necessárias para contratação e implantação.

O Projeto Legal de Incêndio está relacionado à frente documental e à análise junto ao Corpo de Bombeiros, quando aplicável.

A execução de sistemas de combate a incêndio corresponde à instalação física dos equipamentos, tubulações, dispositivos e demais componentes.

A existência de um Projeto Legal não significa que todos os sistemas estão detalhados para execução. Da mesma forma, um projeto executivo não substitui a aprovação documental quando ela for exigida.

A diferença entre Projeto Legal e projeto executivo dos sistemas deve ser confirmada antes da contratação para evitar dúvidas sobre os documentos que serão entregues. O projeto executivo também não garante a emissão do AVCB ou CLCB.

A regularização da edificação junto ao Corpo de Bombeiros pode envolver outras etapas, documentos, adequações e verificações.

Por que o projeto ajuda a evitar improvisos e retrabalho?

Sem informações técnicas suficientes, muitas decisões acabam sendo tomadas durante a obra.

Isso pode resultar em:

  • Tubulações interferindo em vigas ou forros;
  • Equipamentos instalados em locais inadequados;
  • Falta de espaço para bombas e componentes;
  • Alterações não previstas na arquitetura;
  • Compra de materiais incompatíveis;
  • Diferenças entre propostas de fornecedores;
  • Retrabalho após inspeções;
  • Mudanças de escopo durante a execução;
  • Sistemas que não funcionam de forma integrada;
  • Dificuldade para registrar o que foi instalado.

O projeto permite identificar essas questões antes da mobilização da equipe de execução.

A compatibilização com arquitetura, estrutura, elétrica, hidráulica, climatização e outras disciplinas também ajuda a localizar interferências.

Além de reduzir improvisos, o projeto fornece uma referência para orçamento, contratação, acompanhamento e conferência dos serviços executados.

Isso não elimina a necessidade de acompanhamento técnico durante a obra, mas reduz decisões baseadas apenas na experiência de campo ou na disponibilidade momentânea de materiais.

Como saber se avaliação deve começar pela situação atual do imóvel e pelo objetivo da intervenção.

Algumas perguntas ajudam a orientar o diagnóstico:

  • A edificação será construída, reformada ou ampliada?
  • Houve mudança de layout ou de atividade?
  • Existem sistemas instalados?
  • As instalações correspondem aos projetos disponíveis?
  • Algum sistema será ampliado ou substituído?
  • Existem pendências identificadas?
  • Há informações suficientes para orçamento e execução?
  • Os sistemas precisam ser compatibilizados com outras disciplinas?
  • Existe Projeto Legal ou documentação anterior?
  • A demanda envolve apenas projeto ou também execução?

Quando a resposta não está clara, a análise técnica pode identificar quais sistemas precisam ser projetados, revisados ou adequados.

O escopo pode envolver um único sistema ou diferentes projetos coordenados, conforme as características e as necessidades da edificação.

Perguntas frequentes sobre necessidade de projeto de sistemas de combate a incêndio (FAQ)

Toda edificação precisa de projeto de sistemas de combate a incêndio?

Não. A necessidade depende do uso, da área, da altura, dos riscos, dos sistemas existentes e das exigências aplicáveis ao imóvel.

Quando é necessário projeto de hidrantes?

O projeto pode ser necessário para implantar, ampliar, substituir ou revisar a rede de hidrantes e mangotinhos, especialmente quando é preciso definir vazões, pressões, tubulações, reserva de água ou bombeamento.

Quando é necessário projeto de sprinklers?

O projeto pode ser necessário quando a edificação precisa instalar, ampliar ou adequar o sistema, avaliar cobertura, realizar cálculos hidráulicos ou compatibilizar a rede com forros e instalações.

Projeto dos sistemas é a mesma coisa que Projeto Legal de Incêndio?

Não. O projeto dos sistemas trata de dimensionamento, especificações e detalhes para implantação. O Projeto Legal está relacionado à documentação, ao protocolo e à análise junto ao Corpo de Bombeiros.

O projeto inclui a execução dos sistemas?

Não necessariamente. Projeto e execução são serviços diferentes. A instalação deve ser definida separadamente no escopo da contratação.

É possível projetar apenas um sistema específico?

Sim. Dependendo da necessidade, o projeto pode abranger somente hidrantes, sprinklers, alarme, detecção, iluminação, sinalização ou outro sistema determinado.

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Este artigo foi escrito por:

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Cesar Sala

Engenheiro Civil e Engenheiro de Segurança do Trabalho, com experiência em consultorias, projetos e obras. Possui especializações nas áreas de estruturas, geotecnia e gestão de projetos. É fundador da Sala Engenharia e atua no desenvolvimento de soluções técnicas para edificações, obras e empresas.

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